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O Saneamento Básico em Jogo: Defesa das Empresas Públicas, Justiça Tarifária e o Combate ao Desmonte do Setor.
O debate apresentado no artigo da Agência Senado expõe uma contradição central na política brasileira: embora o saneamento básico afete diretamente a saúde, a dignidade humana e a preservação ambiental, ele continua relegado ao segundo plano das campanhas eleitorais. A invisibilidade das obras enterradas sob a terra e a lógica do marketing eleitoral — focado em retornos imediatos e apelo emocional — servem de pretexto para omitir um direito social fundamental. Sob a perspectiva do movimento sindical e do comportamento político de lideranças como Wilton Maia Velez, presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba (Stupb), esse "silêncio eleitoral" não é mera casualidade; trata-se de uma conveniência política que abre espaço para o avanço da privatização e o enfraquecimento do patrimônio público.
A Relevância da Empresa Pública e a Função Social da CAGEPA
Frente ao déficit nacional de saneamento — onde 43% da população vive sem coleta de esgoto e 16% sem água potável —, a defesa da gestão pública, corporificada na Paraíba pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA), coloca-se como garantia de justiça social.
A atuação de entidades públicas orienta-se pela universalização do acesso, e não pela lucratividade de acionistas privados. Em um estado marcado por assimetrias econômicas e regiões vulneráveis no semiárido, a continuidade da prestação estatal assegura que investimentos cheguem a municípios deficitários, nos quais a iniciativa privada não teria interesse econômico em operar.
O Subsídio Cruzado como Pilar da Universalização
A garantia da manutenção e expansão do saneamento na Paraíba repousa sobre a mecânica da tarifa e do subsídio cruzado:
· Arrecadação Solidária: Os recursos gerados nos grandes centros urbanos e nas áreas de maior renda financiam a infraestrutura e a operação nos pequenos municípios e bairros periféricos.
· Acesso Social: O subsídio possibilita a aplicação da tarifa social para famílias de baixa renda, permitindo o acesso à água tratada sem comprometer a subsistência familiar.
· Risco Privatista: A concessão ou privatização dos trechos lucrativos ("filé mignon") quebra o subsídio cruzado, isolando os municípios vulneráveis ("osso") e inviabilizando a expansão do saneamento no interior.
Impacto Tributário e os Riscos do Desmonte
Outro ponto fundamental no debate é a incidência da carga tributária sobre os serviços essenciais de água e esgoto. Tratar a água potável e a coleta de esgoto como mercadorias sujeitas a altas taxas tributárias encarece a tarifa final para o consumidor, penalizando sobretudo as populações mais vulneráveis.
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Dimensão |
Gestão Pública Estatal |
Modelo Privatizado / Desmonte |
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Objetivo Central |
Universalização do serviço e saúde pública |
Lucro financeiro e retorno a acionistas |
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Mecanismo Financiador |
Subsídio cruzado e reinvestimento tarifário |
Seleção de mercados rentáveis e tarifas elevadas |
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Carga Tributária |
Revertida em melhorias operacionais e tarifa social |
Custos repassados integralmente ao consumidor |
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Cobertura Regional |
Integração de municípios de pequeno e grande porte |
Concentração de investimento em centros urbanos |
O avanço do desmonte do setor público sob a égide do Marco Legal de 2020 arrisca transformar a água e o saneamento em privilégios de mercado. A postura combativa das lideranças urbanitárias, como Wilton Maia Velez, reafirma a necessidade de incluir o saneamento no centro das decisões políticas de forma permanente — denunciando o sucateamento proposital e defendendo que o saneamento básico permaneça como um bem público inalienável, garantido pelo Estado e a serviço de toda a população paraibana.
Wilton Maia Velez
Mestre em Engenharia e Gestão dos Recursos Naturais.
